EDITORIAL

Editorial edição 830

Empatia

Definida como capacidade de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro, ou capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir como o próximo ou ver de pontos de vista diferentes. A empatia tem andado em falta ultimamente. Na verdade, a palavra só começou a ser mais conhecida de uns tempos pra cá, mas apesar de muito usada em textos, palestras, mensagens e até mesmo na internet, não tem sido colocada em prática. E olha que ela é importante, principalmente nos meios empresarias, onde é a chave para uma boa liderança, tão festejada pelo mundo corporativo.

Mas sincronizar os mundos não tem sido tarefa fácil numa vida corrida e sufocante. Talvez seja o momento de começar a trabalhar a sensibilidade pela realidade do próximo, essencial para a convivência com as diferenças. E na prática, como funciona? Cada vez que uma pessoa para o carro na vaga destinada para idosos e deficientes, mesmo por um minutinho, ou fecha um cruzamento, joga lixo no chão, reclama de pessoas mais velhas andando devagar na sua frente, é agressivo com quem pensa diferente, impede que um colega de classe preste atenção na aula, porque está a fim de conversar, atende mal um cliente – a lista é longa -, não está exercendo a empatia, que pode ser traduzida como tolerância social.

Ser empático não é necessariamente agir ou pensar como o outro, mas se motivar, ajudar – muitas vezes não atrapalhando-, elevar o altruísmo. Ter paciência com as atitudes alheias também pode funcionar. É simples basta seguir na trilha do “não faça ao outro o que não gostaria que fizessem com você”, sem esquecer que o outro pode ter gostos diferentes dos seus.

Alguns especialistas citam hábitos que podem ajudar a desenvolver essa virtude que anda tão em falta: Cultivar a curiosidade sobre o desconhecido; desafiar o preconceito e descobrir pontos em comum; experimentar a vida de outra pessoa; escutar abertamente; desafiar-se; inspirar e ações e por fim, colocar em prática o famoso ditado norte americano “andar com os sapatos dos outros” que significa se colocar no lugar do outro.

 

É gratificante. Vale à pena tentar!

 

 

Editorial edição 829

Vamos torcer pelo Brasil

Os eleitores foram às urnas e as eleições terminaram. Resultados divulgados, festa de um lado e tristeza ou apreensão de outro. Reações naturais depois de um pleito um pouco atípico em função da extrema polarização. Mas é hora de refletir, agora cada um volta para seus afazeres e deixa os confrontos políticos de lado. Necessário recobrar a lucidez, não se pode permanecer com inimizades por causa do pleito. Nossas divergências devem ser políticas e ideológicas, jamais pessoais.

Nada pior que olhar de desdém ou deboche para perdedores ou rancor e desejo de que tudo dê errado para os vencedores. Somos um só Brasil, lutando pelas mesmas causas e no sentido de ajudar a maioria. O presidente governa para todos, assim como os governadores em seus respectivos estados, sempre mirando os interesses de todos. Necessário que nesse momento os partidos desapareçam em prol do bem maior.

Antes de entrarem em contendas e desejar o pior para o país, vale à pena lembrar as palavras de Barak Obama, ex- presidente dos Estados Unidos, quando o Partido Democrata perdeu a última eleição. “Mas assim funcionam as eleições. Essa é a natureza da democracia. Ela é dura. Às vezes, duvidosa e barulhenta. Não é sempre inspiradora. Às vezes você perde um argumento. Às vezes você perde uma eleição. É assim que a política funciona. Nós tentamos convencer as pessoas de que estamos certos. E, então, as pessoas votam.”

Obama ainda deixa o conselho para que todos lutem e honrem a pátria. “O ponto é todos seguirmos em frente com a presunção de boa fé em nosso povo. Porque essa é a presunção de boa-fé. É essencial para uma democracia vibrante e funcional. (…) Porque acima de tudo estamos todos no mesmo time.”

Somos todos Brasil.

 

Editorial edição 828

Os governos são o espelho da sociedade. A frase dita muitas vezes em referência à política não pode ser mais real e atual. Por isso é necessária muita cautela na hora de votar. O voto nulo ou em branco não invalida a eleição, conforme divulgado, muitas em vezes nas famosas fake news, aliás, notícias falsas são muito preocupantes em qualquer momento social, principalmente quando se trata de eleições. Essencial, portanto, desconfiar, e conferir as notícias que chegam, principalmente através de redes sociais e whatsapp.

Uma avalanche de fake news invadiu e tem invadido essas mídias apesar dos esforços de órgãos governamentais para barrá-las. Muitas foram retiradas do ar, mas são como penas espalhadas ao vento, sempre fica alguma prá trás, impossível recolher todas. Por isso a importância da checagem. Diversos sites sérios montaram equipes para verificação e conferência de fatos divulgados como verdades e que parecem suspeitos. Vale a pena sempre dar uma olhada para saber o que é real e o que é falso. As informações estão disponíveis. Não vale a desculpa de que votou nesse ou naquele candidato por desinformação.

Fora isso se faz necessário pesquisar os planos de governo de cada um. Eles estão disponíveis na web e são de fácil acesso. Então uma busca rápida ajuda para que o eleitor consciente pesquise e verifique quais as propostas mais se afinam com seu modo de pensar e ver o mundo. O que esse planos trazem de melhor e pior para a formação de uma sociedade mais justa e coesa com diretos e garantias para todos. Qual proposta atende ao maior número de pessoas, é mais abrangente, não exclui segmentos e visa o bem estar geral. Assim, com pesquisa, dedicação e gastando pouco tempo é possível dar um voto consciente, afinal, queremos uma imagem bonita no espelho!

Dia 28 de outubro está chegando e iremos decidir os rumos do país e do estado. Vale à pena analisar com cuidado as propostas de cada um.  Votar com consciência e decidir o que é melhor para a maioria. E mais importante, independente do resultado das urnas, lutar pela democracia e para que o eleito tenha condições de governar e fazer o seu melhor. Assim ganham todos.

Boa eleição para todos!

 

Editorial edição 827

A importância de se informar bem

Vivemos uma situação muito peculiar no Brasil atual. Em torno de muitas discussões entre concepções e valores sobre pessoas, atitudes, coisas, ações, empresas, religiões… Hoje todos têm opiniões formadas sobre quase tudo. Mas é preciso se questionar como essas opiniões se formam. Normalmente tem o viés familiar, claro, tendemos a pensar conforme orientação do nosso núcleo familiar mais próximo. Depois vem a escola, os amigos, a turma, a faculdade, a igreja. Sim tudo isso contribui para formar a visão de mundo, até a cidade onde moramos, o bairro, enfim…

Mas aí entra outro viés importantíssimo que não pode ser deixado de lado. A informação que chega através da mídia e, agora, das redes sociais. A mídia, em geral, é consenso, não é totalmente imparcial e não será o foco da discussão. Mas e as redes sociais, será que elas não têm filtro? Então. É no bojo dessas discussões que vamos encontrar um termo que vem se tornado comum: “viés de confirmação”. Trata-se da tendência que temos de lembrar, interpretar ou pesquisar informações que confirmem nossas crenças e hipóteses iniciais sobre um tema. Até aí tudo certo, uma pesquisa poderia ser feita num grande portal e retornar com dados que não confirmariam as crenças originais, ou existe a possibilidade do recebimento de posts em redes sociais muito opostos ao pensamento inicial, quem sabe, proporcionando uma mudança de opinião.  Mas não é exatamente assim que funciona.

Já foram criados algoritmos de direcionamento de pesquisa, então quando pesquisamos em rede sobre algum ponto de interesse, esses algoritmos já nos direcionam para textos, imagens, mensagens, fontes, enfim, tudo que reafirma e combina com o que buscamos usualmente, reafirmando a nossa forma de pensar. Isso leva a outro ponto, o viés cognitivo, as pessoas só aceitam e interpretam informações que confirmem sua crença ou hipótese inicial e se fecham para o diferente.

Por isso a importância de ler mais, se informar em diferentes fontes, buscar por livros, quem sabe passear em uma biblioteca, ler jornais impressos, atentar para novas formas de pensamento. Elas existem e estão espalhadas por aí. Dar uma parada, abrir a janela, ver o dia acontecendo também são ótimas opções para espairecer e refazer a casa mental. Vamos tentar buscar formas diversas de opiniões, perspectivas, quem sabe assim, não eliminamos nossas fronteiras e passamos a criar pontes ao invés muros entre os diferentes?

 

Editorial edição 826

Editorial

Por um segundo turno de paz

No dia sete de outubro aconteceram as eleições para deputados federais, estaduais, senadores, governadores e vice-governadores e presidente e vice-presidente da república. Passado o pleito, o Brasil soube que teria segundo turno em alguns estados para governadores e vices e que a eleição presidencial também seria decidida em 28 de outubro. O país, que já estava exaltado, polarizou-se ainda mais diante de duas forças políticas completamente divergentes e antagônicas.

Os ânimos se exaltam e cenas de violência, inclusive com duas mortes já registradas (um capoeirista na Bahia e um homossexual em Curitiba) estão se espalhando. Confronto entre grupos de eleitores de um e outro lado foram contabilizados em diversas cidades. Registre-se aí um dos candidatos atacado a facada durante campanha em Juiz de Fora no primeiro turno, mais que lamentável. Calma pessoal! Atos de violência, vandalismo, ofensas em redes sociais e brigas nada acrescentam a um evento que deveria ser, antes de tudo, a festa da democracia.

A democracia brasileira, esta jovem de 34 anos, que merece sim ser defendida, mas não na base da violência não importa a forma que se apresente. Durante campanhas políticas, utilizam-se muitas estratégias e muitos discursos em busca de voto. Nem sempre essas estratégias são dignas e esses discursos são legítimos. E é nisso que precisamos prestar atenção especial. Necessário se faz estudar atentamente as propostas de cada um para educação, saúde, justiça, diminuição do índice de criminalidade, enfim necessidades básicas que ainda não foram totalmente cobertas pelas políticas públicas atuais, mas que devem seguir em frente a fim de amparar a população. Há uma agenda de propostas que está ficando de fora das discussões e será objeto de medidas logo no início do próximo mandato, independente de quem seja o vencedor: reforma da previdência, revisão da legislação trabalhista… e é preciso saber o que cada candidato pensa a respeito desses assuntos, para depois não ser pego de surpresa.

A discussão deve se dar sob o ponto de vista político, as divergências são saudáveis, precisam existir para que a democracia e se fortaleça, mas devem permanecer no âmbito político, e não pessoal. O respeito à individualidade e a personalidade de cada um são princípios básicos da ética. Sem isso, tudo se torna violência e imposição. Respeito deve ser sempre a palavra-chave. Vamos dar a essa campanha pelo segundo turno ares mais leves e suaves. A campanha vai passar, as vidas ficarão.

Necessário lembrar, nos dizeres do historiado Leandro Karnal, que o país necessita é de mais políticos técnicos, éticos, trabalhadores e menos retóricos e espetaculares e ideológicos, embora não haja política isenta. Eficácia e produtividade é isso que devemos procurar nos programas a fim de nortear nosso voto. E manter a paz sempre, para que assim a Democracia possa ser garantida. Afinal relembrando o estadista britânico nascido no século 19, Winston Churchil: “A democracia é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se as demais.”

Vamos lutar por ela, mas uma luta de paz. É possível! Boa campanha.

Editorial edição 825

Eleições

Domingo, sete de outubro, acontece o primeiro turno das eleições 2018. Neste pleito os eleitores votam para presidente e Vice-Presidente da República, Governadores e Vice- Governadores dos estados e Distrito Federal, deputados federais e estaduais e dois terços do Senado Federal. Caso candidatos a presidente e vice e a governadores e vice governadores não consigam 50% dos votos válidos e mais um no primeiro turno, acontece o segundo turno das eleições, dia 28 de outubro. Em função disso é necessário observar dois pontos muito em voga ultimamente: Votos brancos e nulos e o respeito à opinião alheia, pilar da Democracia.

Em função das últimas pesquisas, recentemente divulgadas, tudo indica um segundo turno em Minas Gerais e nas eleições majoritárias. Na disputa apertada e com candidatos com alta rejeição de um e outro lado, muitas pessoas optam pelo voto nulo ou em branco. Elas acreditam que desta forma invalidam as eleições e outras serão convocadas com candidatos diferentes. Isso não é verdade.

 O voto branco ou nulo não anula as eleições. Eles apenas não são computados para o resultado final. Portanto é necessário ficar atento e se possível escolher sim um candidato. Algum deles deve ter propostas e ideais equivalentes aos do eleitor.  Se o eleitor não escolher, outro pode dar seu voto para um candidato em quem ele nunca votaria! E são os eleitos que estarão lá, pelo menos nos próximos quatro anos, representando o que deveria ser a vontade da maioria. Necessário se faz assumir uma posição. O processo eleitoral acontece, porém quanto mais abstenções, menor a quantidade de pessoas decidindo o destino de todos.

Outro ponto que não pode passar em branco. O intenso debate nas redes sociais, evento relativamente novo que causa perplexidade pela força que está ganhando na “vida real”. Movimentos iniciados na rede que tomaram as ruas, ganhando corpo. Isso é bom e muito interessante, mostra que existe uma adesão á discussão política. Mas as divergências políticas não devem chegar ao nível pessoal. Brigas e discussões, rompimentos de antigas amizades, não levam a nada. Não agregam o debate, apenas ferem suscetibilidades.

Colocar em cheque a idoneidade das eleições, o funcionamento das urnas eletrônicas também pode ferir de morte a Democracia no país. Portanto, aceitar a respeitar o resultado das urnas será primordial para a garantia dos direitos duramente adquiridos em décadas de luta pela Democracia. Que seja feita a vontade da maioria e, mais que isso, que essa vontade seja respeitada e garantida.

 

 

Editorial edição 824

A importância do voto para o Legislativo

O primeiro turno das eleições no Brasil será dia 7 de outubro. Os eleitores poderão votar para presidente e vice-presidente da República, governadores e vice- governadores dos estados e Distrito Federal, deputados federais e estaduais e dois senadores pelo seu estado. Mas a escolha de representantes para o legislativo também é de extrema importância, já que são eles os responsáveis, resumidamente, pela criação das leis e fiscalização dos atos do Executivo.

Também são os deputados e senadores (no caso do legislativo federal que é bicameral) os incumbidos de aprovar, ou não propostas do Executivo. Sem uma boa base de apoio no Congresso ou na Assembleia (no caso dos estados) o Presidente e/ou Governador, não consegue governar. Por isso a importância de pensar bem antes de escolher os representantes nestas instâncias.   

Também vale a pena ficar atento às modificações na Legislação Eleitoral no que diz respeito ao número de votos que o candidato deve conseguir para se eleger. Antes, se a legenda ou coligação conseguisse um número x de votos, elegeria determinado número de candidatos levando em conta o coeficiente eleitoral. Mas desde as eleições de 2016 essa regra mudou. Agora um candidato precisa atingir um mínimo de votos (10% do quociente eleitoral) para se eleger. Caso isso não ocorra, a cadeira conquistada pelo partido é perdida.

Então é preciso ficar atento às coligações e pensar bem antes de dar o famoso voto na legenda, ele pode não ajudar a eleger o candidato do partido que você simpatiza. Por exemplo: Se prefere o partido A e ele está coligado com um partido B e C, por exemplo, o voto na legenda vai ajudar aos três partidos e não apenas ao seu partido.

A regra dos 10% foi introduzida na legislação para evitar que um candidato muito popular eleja outros com votação insignificante. Mas, na prática, ela pode prejudicar os partidos que concentram sua votação na legenda. Então é preciso ficar atento e, se for o caso, escolher um candidato para dar seu voto. Afinal queremos estar bem representados em todas as instâncias do legislativo e por pessoas que defendam nossos pontos de vista.

 

Editorial edição 823

Ética seletiva

Colar na prova, dar dinheiro para que um serviço saia mais rápido, não devolver o troco que te deram a mais (era pouca coisa!), deixar que o caixa não passe aquela compra que vocês “esqueceu” embaixo do saco de arroz, (e ainda se vangloriar pela esperteza), fazer cópias utilizando a copiadora do trabalho (não tem ninguém vendo!). Enfim, uma série de atitudes que já se tornaram banais no nosso dia a dia. Mas por quê? Estamos vivendo um boom de pessoas vociferando por aí, principalmente nas redes sociais, textos em prol da moral, ética e bons costumes e essas coisa ainda acontecem? Tem algo errado, não?

Essa ética vale pra quem? Será que ela tem tamanho, intensidade, raça, classe social? Se for comigo, algum parente ou alguém que eu goste, “ahhh, não tem problema, não foi por mal…”, mas se é com o vizinho… Muitas vezes nem percebemos atitudes preconceituosas ou desastrosamente amorais ou antiéticas que praticamos todos os dias, enquanto julgamos o outro. A corrupção dele é igual a sua, só muda o tamanho, a cara, o jeito, a quantidade de dinheiro envolvido talvez,  mas a sua e a dele são corrupções do mesmo jeito.

Muito cuidado também com o trágico: “eu não tenho como não fazer assim, é o sistema…” essa desculpa é o cúmulo da aceitação de um estado de coisas que não fazemos esforço para modificar, se por medo, preguiça, desídia ou comodismo fica a cargo da consciência de cada um. E muitas vezes colocamos nas práticas sociais habituais a desculpa perfeita para continuar a ser como somos. Porque é muito mais fácil mostrar o erro alheio a ver o nosso. Trata-se de decoro, de ética. A etimologia nos mostra que dentro da palavra decoro existe a palavra enfeitar, (dec no grego é enfeitar daí decorar), então tornar nossas vidas feias ou bonitas, é uma questão de escolha.

O que vamos ensinar às nossas crianças através do exemplo, com as nossas pequenas ações diárias é que vai tornar o mundo delas mais feio ou bonito. É muito importante trabalhar o comportamento ético como escolha (mesmo que não esteja ninguém vendo, nós estamos!) ser ético é uma decisão, opção de vida. A ética e o decoro nunca podem ser impostos, mas ensinados.

 A nossa ética não pode ser seletiva e só valer para umas ou outras situações ou pessoas. Vamos ficar atentos porque nossas ações, por menores que sejam, refletem em toda a sociedade, e voltam para nós na mesma medida, ou ampliada!

 

 

 

Editorial edição 822

Voto consciente

 

“Ah, de que adianta eu votar no meu candidato, se ninguém mais vai votar?!” A frase entreouvida por aí, nos dá a dimensão da insegurança de algumas pessoas num momento tão importante da vida. A hora de exercer a Cidadania e a Democracia (sim, sempre com maiúscula!).  Adianta sim. Adianta porque você faz valer a sua opinião, sua forma de pensar, seu direito de se expressar e escolher alguém que te represente. E mais, ajuda a encorajar aqueles que também ficam na encolha, achando que a sua opinião não tem respaldo.  E se não tiver? Que seja, mas é a sua opinião!

Eleição não é campeonato de futebol que a pessoa precisa torcer por um time naturalmente vencedor, só para ter orgulho de ser da turma que ganhou. É muito mais sério que isso. Estamos elegendo pessoas que vão nos representar nas decisões sobre o futuro do nosso país, sobre o seu futuro, suas relações de trabalho, direito a aposentadoria, ensino, saúde, tudo isso passa pelo seu voto. Escolher um mau governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Lembrando que são os políticos que administram os nosso impostos.

 As campanhas pululam nas redes sociais, esse ou aquele candidato a presidente ou governador (a) dos estado, mas sem apoio do legislativo, ou seja deputados federais, estaduais e senadores, esses homens e mulheres pouco podem fazer. Então necessário se faz pensar, e muito, no voto para esses cargos. E ele não pode ser “Maria vai com as outras”, esse é mais famoso ou famosa, então para eu ficar bem na fita vou votar nele ou nela para ser da turma que venceu, política não se faz assim. Consciência minha gente! Nem todos os políticos são iguais, existem os bons e maus, os corruptos e os honestos, os competentes e os incompetentes. O voto consciente ajuda a valorizar os melhores.

Outra coisa, acreditar que votar nulo ou em branco anula eleição é mito. Esses votos não são computados para o resultado da eleição. De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu art. 77, parágrafo 2º, é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (somente), excluídos os brancos e os nulos. Ou seja, voto válido é aquele dado diretamente a um candidato ou partido. E somente eles contam.  O secretário judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal,  Fabio Moreira Lima alerta: “Se mais de cinquenta por cento dos eleitores, abrirem mão do seu voto, na verdade o eleitor estará abrindo mão de participar do processo eleitoral, mas o processo eleitoral irá acontecer, quanto mais abstenções nesse sentido tivermos, teremos uma quantidade menor de pessoas decidindo o destino de todos”.

Então vamos pensar muito bem, pesquisar e escolher o candidato ou candidata que melhor nos represente. Fica a dica.

 

 

Editorial edição 821

Vamos viver em paz?

Dia da Compreensão Mundial (17/09), Dia Internacional da Tolerância (16/11) datas internacionais que foram instituídas para nos lembrar da importância da convivência pacífica entre os povos. O primeiro tem o objetivo de mostrar a necessidade da compreensão para o estabelecimento do bem estar e convivência entre todos. O Segundo, instituído pela ONU – Organização das Nações Unidas – acontece em função da Declaração de Paris, assinada em 1995, e pretende que os países difundam o respeito às diferenças, reafirmando a importância dos Direitos Humanos e, principalmente, do Direito à Liberdade, à Expressão e à Educação. O objetivo: Evitar que num futuro próximo, entremos em conflito por questões culturais e de intolerância. Uma situação belicista que nenhum de nós pretende.

O entendimento entre as pessoas é uma decisão íntima de cada um. Pretender respeitar o próximo não quer dizer que tenhamos viver como eles, ou ter as mesmas atitudes, mas tentar se colocar no lugar dele, sem críticas ou reprovações. Apenas… respeitando. Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, hoje com 97 anos, afirma “meu mundo é a minha visão de mundo”, logo não vemos o mundo de forma semelhante, tudo vai depender da nossa interpretação da vida, e cada um tem a sua.

Como muitas vezes somos incapazes de estabelecer esse tipo de raciocínio sobre a vida alheia, seja ela do vizinho, colega de trabalho ou outra civilização, perdemos o nosso olhar tolerante e compreensivo e pretendemos impor ao diferente o que nos parece familiar. E é aí que reside a causa de tantos atos violentos e lamentáveis a que temos assistido ao longo da história. O diferente nos amedronta, e ao invés de tentar conhecê-lo melhor, partimos para o combate. Criamos falsos medos, falsas inseguranças, e eles passam a ser nossos mestres, que talvez, nos façam desaprender…a amar, conhecer, tolerar, viver em paz.

Necessário se faz nos despirmos desses falsos medos, desatar o convívio com esse mestre às avessas e viver de modo mais leve. Em geral somos tensos, não sorrimos, não nos abrimos, não somos fraternos. Um sorriso, um abraço, um oi, um pedido de desculpas, um olhar fraterno, compreensivo, podem fazer toda a diferença. Vamos tentar?!

 

Editorial edição 820

Sobre ser tolerante

A sociedade tem vivido nos últimos tempos uma explosão de intolerância. Triste realidade constatada nas manchetes de todas as mídias. Não importa contra o quê ou quem, ela se mostra nas suas mais variadas faces: religiosa, racial, política, por orientação sexual, hábitos, nacionalidade e, pasmem, até por aparência física!

Os discursos xenofóbicos, as lamentáveis cenas de ódio e o surto de violência contra nossos irmãos refugiados da Venezuela nos fazem pensar que o instinto está sobrepujando a razão. Feminicídios, estupros, assassinatos de gays, afrodescendentes, moradores de comunidades mais pobres, enfim… uma longa lista que precisa ser encurtada o mais rápido possível, corroboram esse pensamento.

Mas por onde começar a combater a intolerância? A grande preocupação deveria ser conter a nossa própria intolerância, fazer um estudo íntimo e verificar em quais momentos da vida, e, em que circunstâncias, estamos sendo, mesmo que inconscientemente, intolerantes e preconceituosos. O respeito é a chave da evolução humana! Necessário não se deixar levar, não entrar nesse ciclo vicioso. Aceitar o próximo como ele é não significa compartilhar de suas escolhas, viver como ele, significa reconhecer a sua individualidade.

Ser tolerante não é ser omisso, é exercer a plenitude da cidadania, denunciando o errado e fazendo valer os direitos, seus e do seu próximo.  Vamos tentar conhecer mais o outro, se colocar no lugar dele, exercer a empatia e a generosidade. Respeitar!

Nos dizeres do escritor moçambicano Mia Couto. “Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.”

 

Editorial edição 819

Como economizar em tempos de crise?

A miséria voltou a ser a realidade na vida de milhões de pessoas no Brasil. O fato revelado por um levantamento da organização ActionAid Brasil e divulgado em julho deste ano já pode ser constatado pelas ruas das cidades, onde nos deparamos com  cidadãos vivendo em condições subumanas a cada esquina. De acordo com o estudo, cerca de 12 milhões passam fome no Brasil. O número de pessoas consideradas pobres, com renda per capita menor que R$ 70,00 por mês, quase que dobrou em 2017 e essas, infelizmente, já não vivenciam nem mesmo a realidade de ter de controlar as finanças e administrar dívidas. Apenas sobrevivem.

Vamos falar sobre outro conjunto de pessoas, os que ainda possuem alguma fonte de renda, mais próxima de um a dois salários mínimos por mês. Para essas, em função dos baixos salários e da informalidade fica difícil controlar as finanças e muitos acabam terminando o mês no vermelho. E é aí que aparecem os conselhos de especialistas sobre como se organizar para evitar as dívidas. Poupar sempre, economizar luz, água e combustível, prestar atenção nos gastos! Mas como? Se as tarifas públicas, água, energia, impostos, sobem muito acima da inflação e o salário fica abaixo? A conta nunca vai fechar, pois se a pessoa economiza nos gastos enquanto o valor das tarifas  aumenta, a economia vai por água abaixo.

Basta uma rápida pesquisa na internet para verificar: o aumento do salário para 2018 foi de 1,81%, e a conta de energia elétrica, por exemplo, só no primeiro semestre de 2018 chegou a ter um reajuste médio de 15,55% em todo o país. As bandeiras vermelhas voltaram. A conta de água subiu também, gás e combustível são temas de editoriais e reportagens nos principais noticiários nacionais. E como exigir mais economia de trabalhadores que, em determinados momentos da vida, precisam optar entre higiene pessoal, tratamento de saúde ou alimentação? Sim eles existem, são muitos e, às vezes, aparecem como personagens de reportagens, mas continuam invisíveis aos olhos da maioria. É mais prático não ver para não precisar enxergar!

Bem, isso sem contar as tarifas bancárias absurdas e juros, principalmente dos empréstimos com financeiras e cartões de crédito. Mas aí já estamos falando dos que tem acesso a esse tipo de serviço. Se estreitarmos ainda mais o funil poderemos verificar a alta nos valores cobrados por planos de saúde, escolas particulares e uma infinidade de outros serviços que apenas uma minoria pode pagar.

E no desespero de pagar as contas em dia e influenciados por essa onde de conselhos e receitas mágicas de como economizar e poupar para não chegar no vermelho ao final do mês, as pessoas se desesperam e sentem-se incapazes de ordenar suas finanças e acabam caindo em armadilhas financeiras. Importante lembrar, que na maioria dos casos, o problema não é má gestão do dinheiro, e sim a falta efetiva dele.

 

Editorial edição 818

Vamos ser solidários?!

De acordo com as definições atuais a solidariedade é o compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas. Cabe nessa definição o princípio de que todos que queiram praticá-la devem sentir-se integrantes de uma mesma comunidade, portanto dependentes uns dos outros. Mas será que estamos praticando a solidariedade em nossa comunidade, ou apenas esperando o poder público fazer a parte dele, esquecendo que junto com nossos direitos também temos deveres a cumprir? O mundo é nosso! E não apenas daqueles que elegemos como nossos governantes. O poder público, o próprio nome já diz, somos nós!

Não dá para reclamar dos fatos mostrados nos noticiários achando que alguém, mas não nós, tem que resolver. Já passamos da hora de uma tomada de atitude. E é nos pequenos detalhes da vida que ela acontece. Agindo no nosso entorno, nos indignando com o que está a nossa volta, com o que temos capacidade de ajudar a resolver, e não com o que está acontecendo do outro lado do mundo.

 De que adianta se revoltar com a fome das crianças na África, se não ajudamos o orfanato carente da nossa cidade? Ou com alto índice de suicídio de idosos no Chile, por falta de assistência médica, se nem lembramos que existe um asilo público perto de nós e precisando de recursos?! Ou, quem sabe, a baleia que morreu porque engoliu um montão de plástico no oceano, se jogamos lixo no rio que corta a nossa cidade? Os exemplos são milhares.

Agir com solidariedade é notar as pessoas a nossa volta, é ajudar quem está mais próximo de nós. Olhar para o nosso próprio umbigo e fazer de tudo para resolver ou diminuir os nossos problemas sociais e estruturais é um ato de responsabilidade. É ter a consciência de que a cada pequeno problema resolvido aqui, pertinho de nós, estamos ajudando a resolver outras várias questões mundiais. 

Ou arregaçamos as mangas ou seremos, nos dizeres do Economista Eduardo Moreira, “uma sociedade rasa, debatedora furiosa de manchetes de redes sociais!” Não queremos isso pra nós!