EDITORIAL

O desgoverno brasileiro

A configuração do exercício de uma política ausente e debilitada perante o povo tem tomado forma no Brasil. Embora se espere que as instituições governamentais, em seu sentido político, apresentem uma gestão voltada ao atendimento das reivindicações de interesse público, o que tem ocorrido no Brasil é justamente o inverso. Um claro exemplo é que os governantes tenham se preocupado cada vez mais em agradar financiadores de campanha, em detrimento da assistência essencial às necessidades da população. Com isso, torna-se gradativa a desorientação do eleitorado, sem candidato que lhe pareça verdadeiramente transparente e íntegro.

Revejamos a situação semianárquica da política brasileira hodierna: a presidente eleita nas eleições de 2014, Dilma Rousseff, sofreu impeachment por pedaladas fiscais e edição de decretos de crédito suplementar. O segundo colocado, Aécio Neves, nesta última semana, virou réu por corrupção e obstrução de justiça. O atual primeiro colocado em todos os cenários de pesquisa de intenção de voto em que aparece, Lula, está preso, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ainda de acordo com as recentes pesquisas eleitorais, o primeiro colocado em um cenário sem Lula, Jair Bolsonaro, foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por preconceito contra quilombolas, indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs. Mesmo os presidenciáveis mais “nanicos”, com ínfima probabilidade de se elegerem, apresentam alguma irregularidade. Ainda que os defensores dessas figuras políticas aleguem sua inocência, o que até pode ter procedência, suas situações perante a justiça são um reflexo do desnorteio a que o eleitorado está submetido.   

Apesar das recentes jogadas de marketing simulando uma melhora na economia nacional, com um suposto aumento do poder de compra dos brasileiros, os índices de aprovação do governo Temer permanecem pífios. Conforme pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha na última terça-feira (17), a reprovação ao presidente é de 70%. A porcentagem dos que classificam sua gestão como “ótima ou boa” resume-se a míseros 6%. É inevitável indagar-se: uma administração com porcentagens tão mínimas de aceitação governa para quem?

Mesmo em um país dividido por opiniões políticas destoantes, ninguém quer Temer. Seu ultraliberalismo econômico não visa atender às reivindicações populares; é pura manobra marqueteira, objetivando uma reeleição fictícia. É difícil confiar no “traidor” de Dilma, como a própria ex-presidente o classifica. Ele governa unicamente para quem o colocou no poder. E este alguém não é o povo brasileiro.

 

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