EDITORIAL

 

Editorial edição 822

Voto consciente

 

“Ah, de que adianta eu votar no meu candidato, se ninguém mais vai votar?!” A frase entreouvida por aí, nos dá a dimensão da insegurança de algumas pessoas num momento tão importante da vida. A hora de exercer a Cidadania e a Democracia (sim, sempre com maiúscula!).  Adianta sim. Adianta porque você faz valer a sua opinião, sua forma de pensar, seu direito de se expressar e escolher alguém que te represente. E mais, ajuda a encorajar aqueles que também ficam na encolha, achando que a sua opinião não tem respaldo.  E se não tiver? Que seja, mas é a sua opinião!

Eleição não é campeonato de futebol que a pessoa precisa torcer por um time naturalmente vencedor, só para ter orgulho de ser da turma que ganhou. É muito mais sério que isso. Estamos elegendo pessoas que vão nos representar nas decisões sobre o futuro do nosso país, sobre o seu futuro, suas relações de trabalho, direito a aposentadoria, ensino, saúde, tudo isso passa pelo seu voto. Escolher um mau governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Lembrando que são os políticos que administram os nosso impostos.

 As campanhas pululam nas redes sociais, esse ou aquele candidato a presidente ou governador (a) dos estado, mas sem apoio do legislativo, ou seja deputados federais, estaduais e senadores, esses homens e mulheres pouco podem fazer. Então necessário se faz pensar, e muito, no voto para esses cargos. E ele não pode ser “Maria vai com as outras”, esse é mais famoso ou famosa, então para eu ficar bem na fita vou votar nele ou nela para ser da turma que venceu, política não se faz assim. Consciência minha gente! Nem todos os políticos são iguais, existem os bons e maus, os corruptos e os honestos, os competentes e os incompetentes. O voto consciente ajuda a valorizar os melhores.

Outra coisa, acreditar que votar nulo ou em branco anula eleição é mito. Esses votos não são computados para o resultado da eleição. De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu art. 77, parágrafo 2º, é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (somente), excluídos os brancos e os nulos. Ou seja, voto válido é aquele dado diretamente a um candidato ou partido. E somente eles contam.  O secretário judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal,  Fabio Moreira Lima alerta: “Se mais de cinquenta por cento dos eleitores, abrirem mão do seu voto, na verdade o eleitor estará abrindo mão de participar do processo eleitoral, mas o processo eleitoral irá acontecer, quanto mais abstenções nesse sentido tivermos, teremos uma quantidade menor de pessoas decidindo o destino de todos”.

Então vamos pensar muito bem, pesquisar e escolher o candidato ou candidata que melhor nos represente. Fica a dica.

 

 

Editorial edição 821

Vamos viver em paz?

Dia da Compreensão Mundial (17/09), Dia Internacional da Tolerância (16/11) datas internacionais que foram instituídas para nos lembrar da importância da convivência pacífica entre os povos. O primeiro tem o objetivo de mostrar a necessidade da compreensão para o estabelecimento do bem estar e convivência entre todos. O Segundo, instituído pela ONU – Organização das Nações Unidas – acontece em função da Declaração de Paris, assinada em 1995, e pretende que os países difundam o respeito às diferenças, reafirmando a importância dos Direitos Humanos e, principalmente, do Direito à Liberdade, à Expressão e à Educação. O objetivo: Evitar que num futuro próximo, entremos em conflito por questões culturais e de intolerância. Uma situação belicista que nenhum de nós pretende.

O entendimento entre as pessoas é uma decisão íntima de cada um. Pretender respeitar o próximo não quer dizer que tenhamos viver como eles, ou ter as mesmas atitudes, mas tentar se colocar no lugar dele, sem críticas ou reprovações. Apenas… respeitando. Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês, hoje com 97 anos, afirma “meu mundo é a minha visão de mundo”, logo não vemos o mundo de forma semelhante, tudo vai depender da nossa interpretação da vida, e cada um tem a sua.

Como muitas vezes somos incapazes de estabelecer esse tipo de raciocínio sobre a vida alheia, seja ela do vizinho, colega de trabalho ou outra civilização, perdemos o nosso olhar tolerante e compreensivo e pretendemos impor ao diferente o que nos parece familiar. E é aí que reside a causa de tantos atos violentos e lamentáveis a que temos assistido ao longo da história. O diferente nos amedronta, e ao invés de tentar conhecê-lo melhor, partimos para o combate. Criamos falsos medos, falsas inseguranças, e eles passam a ser nossos mestres, que talvez, nos façam desaprender…a amar, conhecer, tolerar, viver em paz.

Necessário se faz nos despirmos desses falsos medos, desatar o convívio com esse mestre às avessas e viver de modo mais leve. Em geral somos tensos, não sorrimos, não nos abrimos, não somos fraternos. Um sorriso, um abraço, um oi, um pedido de desculpas, um olhar fraterno, compreensivo, podem fazer toda a diferença. Vamos tentar?!

 

Editorial edição 820

Sobre ser tolerante

A sociedade tem vivido nos últimos tempos uma explosão de intolerância. Triste realidade constatada nas manchetes de todas as mídias. Não importa contra o quê ou quem, ela se mostra nas suas mais variadas faces: religiosa, racial, política, por orientação sexual, hábitos, nacionalidade e, pasmem, até por aparência física!

Os discursos xenofóbicos, as lamentáveis cenas de ódio e o surto de violência contra nossos irmãos refugiados da Venezuela nos fazem pensar que o instinto está sobrepujando a razão. Feminicídios, estupros, assassinatos de gays, afrodescendentes, moradores de comunidades mais pobres, enfim… uma longa lista que precisa ser encurtada o mais rápido possível, corroboram esse pensamento.

Mas por onde começar a combater a intolerância? A grande preocupação deveria ser conter a nossa própria intolerância, fazer um estudo íntimo e verificar em quais momentos da vida, e, em que circunstâncias, estamos sendo, mesmo que inconscientemente, intolerantes e preconceituosos. O respeito é a chave da evolução humana! Necessário não se deixar levar, não entrar nesse ciclo vicioso. Aceitar o próximo como ele é não significa compartilhar de suas escolhas, viver como ele, significa reconhecer a sua individualidade.

Ser tolerante não é ser omisso, é exercer a plenitude da cidadania, denunciando o errado e fazendo valer os direitos, seus e do seu próximo.  Vamos tentar conhecer mais o outro, se colocar no lugar dele, exercer a empatia e a generosidade. Respeitar!

Nos dizeres do escritor moçambicano Mia Couto. “Todos sabemos que o caminho verdadeiro tem que ser outro. Todos sabemos que esse outro caminho poderia começar, por exemplo, pelo desejo de conhecermos melhor esses que, de um e de outro lado, aprendemos a chamar de “eles”.”

 

Editorial edição 819

Como economizar em tempos de crise?

A miséria voltou a ser a realidade na vida de milhões de pessoas no Brasil. O fato revelado por um levantamento da organização ActionAid Brasil e divulgado em julho deste ano já pode ser constatado pelas ruas das cidades, onde nos deparamos com  cidadãos vivendo em condições subumanas a cada esquina. De acordo com o estudo, cerca de 12 milhões passam fome no Brasil. O número de pessoas consideradas pobres, com renda per capita menor que R$ 70,00 por mês, quase que dobrou em 2017 e essas, infelizmente, já não vivenciam nem mesmo a realidade de ter de controlar as finanças e administrar dívidas. Apenas sobrevivem.

Vamos falar sobre outro conjunto de pessoas, os que ainda possuem alguma fonte de renda, mais próxima de um a dois salários mínimos por mês. Para essas, em função dos baixos salários e da informalidade fica difícil controlar as finanças e muitos acabam terminando o mês no vermelho. E é aí que aparecem os conselhos de especialistas sobre como se organizar para evitar as dívidas. Poupar sempre, economizar luz, água e combustível, prestar atenção nos gastos! Mas como? Se as tarifas públicas, água, energia, impostos, sobem muito acima da inflação e o salário fica abaixo? A conta nunca vai fechar, pois se a pessoa economiza nos gastos enquanto o valor das tarifas  aumenta, a economia vai por água abaixo.

Basta uma rápida pesquisa na internet para verificar: o aumento do salário para 2018 foi de 1,81%, e a conta de energia elétrica, por exemplo, só no primeiro semestre de 2018 chegou a ter um reajuste médio de 15,55% em todo o país. As bandeiras vermelhas voltaram. A conta de água subiu também, gás e combustível são temas de editoriais e reportagens nos principais noticiários nacionais. E como exigir mais economia de trabalhadores que, em determinados momentos da vida, precisam optar entre higiene pessoal, tratamento de saúde ou alimentação? Sim eles existem, são muitos e, às vezes, aparecem como personagens de reportagens, mas continuam invisíveis aos olhos da maioria. É mais prático não ver para não precisar enxergar!

Bem, isso sem contar as tarifas bancárias absurdas e juros, principalmente dos empréstimos com financeiras e cartões de crédito. Mas aí já estamos falando dos que tem acesso a esse tipo de serviço. Se estreitarmos ainda mais o funil poderemos verificar a alta nos valores cobrados por planos de saúde, escolas particulares e uma infinidade de outros serviços que apenas uma minoria pode pagar.

E no desespero de pagar as contas em dia e influenciados por essa onde de conselhos e receitas mágicas de como economizar e poupar para não chegar no vermelho ao final do mês, as pessoas se desesperam e sentem-se incapazes de ordenar suas finanças e acabam caindo em armadilhas financeiras. Importante lembrar, que na maioria dos casos, o problema não é má gestão do dinheiro, e sim a falta efetiva dele.

 

Editorial edição 818

Vamos ser solidários?!

De acordo com as definições atuais a solidariedade é o compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas às outras e cada uma delas a todas. Cabe nessa definição o princípio de que todos que queiram praticá-la devem sentir-se integrantes de uma mesma comunidade, portanto dependentes uns dos outros. Mas será que estamos praticando a solidariedade em nossa comunidade, ou apenas esperando o poder público fazer a parte dele, esquecendo que junto com nossos direitos também temos deveres a cumprir? O mundo é nosso! E não apenas daqueles que elegemos como nossos governantes. O poder público, o próprio nome já diz, somos nós!

Não dá para reclamar dos fatos mostrados nos noticiários achando que alguém, mas não nós, tem que resolver. Já passamos da hora de uma tomada de atitude. E é nos pequenos detalhes da vida que ela acontece. Agindo no nosso entorno, nos indignando com o que está a nossa volta, com o que temos capacidade de ajudar a resolver, e não com o que está acontecendo do outro lado do mundo.

 De que adianta se revoltar com a fome das crianças na África, se não ajudamos o orfanato carente da nossa cidade? Ou com alto índice de suicídio de idosos no Chile, por falta de assistência médica, se nem lembramos que existe um asilo público perto de nós e precisando de recursos?! Ou, quem sabe, a baleia que morreu porque engoliu um montão de plástico no oceano, se jogamos lixo no rio que corta a nossa cidade? Os exemplos são milhares.

Agir com solidariedade é notar as pessoas a nossa volta, é ajudar quem está mais próximo de nós. Olhar para o nosso próprio umbigo e fazer de tudo para resolver ou diminuir os nossos problemas sociais e estruturais é um ato de responsabilidade. É ter a consciência de que a cada pequeno problema resolvido aqui, pertinho de nós, estamos ajudando a resolver outras várias questões mundiais. 

Ou arregaçamos as mangas ou seremos, nos dizeres do Economista Eduardo Moreira, “uma sociedade rasa, debatedora furiosa de manchetes de redes sociais!” Não queremos isso pra nós!

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