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A estiagem deste início de ano já impacta o preço da maioria dos produtos agropecuários em Minas Gerais. Com produção prejudicada em volume e qualidade, os preços recebidos pelo produtor subiram em média 18,27% nos três primeiros meses do ano, segundo levantamento mensal da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (SISTEMA FAEMG). Março foi o terceiro mês consecutivo de preços maiores ao produtor rural.

A coordenadora da Assessoria Técnica, Aline Veloso, alerta que pode haver surpresas nos próximos meses: “Para alguns produtos, ainda não sabemos o tamanho da perda, que só será conhecida no momento da colheita. O impacto pode ser ainda maior que o apontado nas estimativas do IBGE e CONAB”. Exemplo disto, segundo a economista, pode ser o café, principal produto do agronegócio do estado: “A colheita começa agora em maio e segue até meados de setembro. Só então saberemos a real perda, que já tem sido reportada em até 70% em algumas regiões produtoras de Minas”. A incerteza sobre o volume para a safra atual resultou na valorização do grão em 63,94% desde o início de ano.

No topo deste ranking, o preço da batata subiu 197% no acumulado de 2014. Somente em março, o acréscimo foi de 46,8%. O principal impacto foi da estiagem no início do ano, que resultou na diminuição da qualidade e da produtividade das lavouras. Além disso, a primeira safra também apresentou redução na área plantada. A menor oferta no mercado mineiro também está ligada ao encaminhamento de parte da produção do estado para outros estados, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro.

Os produtos pecuários também repetem a tendência de valorização. A estiagem resultou na captação menor de leite e, o calor, em perdas de aves e ovos. Como em anos anteriores, tradicionalmente na quaresma, ocorreu aumento de consumo e o preço dos ovos subiu 20,98% em março. A retração na disponibilidade de animais para o abate também valorizou a arroba do boi gordo.

VBP Agropecuário de Minas 9,3% maior

O Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária Mineira deve ficar 9,3% maior em 2014, alcançando R$ 51,5 bilhões, segundo acompanhamento do SISTEMA FAEMG. Com impacto da estiagem sobre diversos produtos, afetando a atividade rural e reduzindo as estimativas de produção, o bom desempenho final é segurado por preços mais altos, como é o caso do algodão, do abacaxi, do café e da laranja. Os produtos agrícolas responderam por contribuição 16,6% maior, enquanto o desempenho dos pecuários será calculado com o levantamento da produção em meados do ano. “Ainda assim, os preços seguem a tendência altista, iniciada no segundo semestre de 2013, a qual se deve a restrição de oferta de bovinos que é consequência da seca, na maioria das regiões produtoras”, disse Aline Veloso.

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